Edilmar Lima em entrevista ao Portal Educacional

Esta entrevista foi realizada por alunos de 1ª à 4ª série da rede de ensino particular. Muito fera as perguntas. A garotada está realmente antenada com as novidades nacionais e mundiais. Falando sério, a educação no Brasil está dez mil vezes melhor que há 10 ou 15 anos atrás. Parabéns!
1. Quando e como você decidiu ser detetive? Por quê?
Crislaine Roberta Staricoff Viezzer; Tayanne Beltrão Scholze e Thays De Jesus Dantas.
Desde pequeno, eu já tinha uma intuição aguçada e, quando fiz 16 anos, comecei a me interessar pela área da investigação e a ler vários livros sobre o assunto para conhecer melhor a profissão. Quando completei 18 anos, fiz um curso e me profissionalizei logo em seguida. Ingressei na profissão por uma questão de realização pessoal, porque era um objetivo que eu tinha.
2. O que é preciso para se tornar um detetive? Existe algum curso superior que se pode fazer?
Gustavo Alzueta Sigaud; Karen Vasconcelos e Raphael Anthonio Grecco Ramos.
Para ser detetive no Brasil, é necessário fazer um curso de formação. Alguns podem ser realizados a distância, mas esses não são muito adequados a nossa realidade, pois, infelizmente, não têm capacidade técnica para formar bem um profissional que vai lidar com questões tão complicadas como a vida íntima de pessoas. Esses cursos apenas mostram os passos que o futuro detetive terá de seguir, mas não ensinam com eficiência. No Brasil, ainda não existe curso superior de formação de detetives, mas em outros países, como EUA e Portugal, sim.
3. Fale sobre sua profissão. Ela é bem remunerada? É preciso ter muito dinheiro para montar um escritório?
Julia Guimarães Barbosa e Keite Valéria Silva Fernandes.
De modo geral, é uma profissão como outra qualquer, mas tem suas particularidades. O profissional pode montar uma empresa de investigação ou trabalhar por conta própria. A remuneração depende do “marketing” que for feito, mas, se o detetive tiver pelo menos dois clientes por mês, terá um ótimo ganho. Para montar um escritório de investigação, é preciso, sim, investir um bom capital, pois os equipamentos são muito caros.
4. Quanto tempo dura uma investigação normalmente?
Guilherme Da Fonseca Borges.
É difícil saber quanto tempo leva uma investigação, exceto quando isso é combinado antes com o cliente. Geralmente depende das circunstâncias do caso a ser investigado. Quando se trata, por exemplo, da localização de uma pessoa desaparecida, demora em média 30 dias. Mas, se essa pessoa é um estelionatário, esse tempo pode triplicar porque normalmente esses criminosos tentam não deixar pistas que nos levariam até eles.
5. Você já sofreu alguma ameaça por estar investigando um criminoso?
Gustavo Dos Santos Haeser.
Ameaças são riscos que fazem parte da minha profissão. Eu já fui ameaçado diversas vezes e, mesmo assim, nunca deixei de cumprir minhas obrigações, mas nunca recebi uma ameaça do tipo “vou te matar”, graças a Deus. É engraçado que, com o tempo, aprendemos a perceber logo no início quando é uma ameaça ou apenas um blefe, ou seja, fingimento. E o detetive tem de saber lidar com coisas assim.
6. Você anda armado? Já usou disfarces de mulher, por exemplo?
Raphael Henrique Benassi Marinho.
Armas não combinam com minha profissão. Mesmo assim, às vezes, é preciso usar. Eu não gosto de armas, até porque, quando está armado, dependendo das circunstâncias, o profissional pode esquecer de usar a inteligência. E, para mim, essa é a melhor arma do ser humano. Mas disfarce de mulher, não! Você consegue me imaginar sair fantasiado de moça? (risos) Definitivamente, isso não combinaria com o meu velho e inseparável cavanhaque... Mas já me disfarcei de muitas coisas, até mesmo coisas ruins. Uma vez, tive de me vestir de mendigo. E o pior é que precisei ficar em um lugar no meio de mendigos de verdade e tive até que dividir uma garrafa de pinga com eles, senão eles não me deixariam ficar no meu local de vigia. Faz parte da profissão.
7. Qual foi o caso mais difícil, o mais engraçado e o seu preferido?
Pedro Augusto Gonçalves De Freitas e Victor Felipe Costa Lima Cabral.
O que considero mais complicado foi o caso de uma adolescente que havia sido reprovada por sua professora em uma prova de final de ano. Era um teste objetivo, e a professora acusou a menina de ter marcado a questão correta depois de a prova ter voltado corrigida. Imaginem o drama da aluna: ser reprovada e ainda acusada de fraude. O pai da garota me contratou para descobrir a verdade. O caso mais engraçado foi o de uma senhora que ouvia vozes do além, mas, na realidade, o “além” era um ninho de pombos entre o forro e o teto de sua casa. Esse foi cômico demais! Já o caso que mais gostei de investigar foi o de um garoto que se correspondia pela Internet em chats com uma garota e, depois de um tempo, eles “terminaram”. Acontece que, por esse e outro motivo, ele estava em profunda depressão e queria acabar com a própria vida. Felizmente, consegui avisar a mãe dele a tempo de impedir que o garoto fizesse isso. Esses três casos eu conto em detalhes no meu primeiro livro, o Crônicas de um Detetive.
8. Quais foram os piores casos que você investigou? Por quê?
Larissa Martini Lilli.
Um dos piores foi um caso de investigação de traição. Uma jovem senhora havia me contratado para investigar os passos do seu esposo. Depois de alguns dias investigando, descobrimos que ele era bissexual. E, como se não bastasse isso, alguns dias depois, a cliente me procurou no meu escritório e me fez uma revelação: por causa das traições de seu esposo, ela havia contraído o vírus HIV. Para mim, foi o pior caso de todos os tempos! Ela faleceu faz alguns anos, vítima da aids. Eu fiquei muito chateado por saber que ali chegava ao fim a vida de alguém que ainda poderia ter um belo futuro pela frente.
9. Como é o processo para a investigação de cada pista de um caso?
Clarissa Rosa Da Costa e Victor Felipe Costa Lima Cabral.
“Elementar, meu caro amigo”, como já dizia o bom e velho Sherlock Holmes. Seguir pistas é a melhor parte de uma investigação. Vou dar um exemplo bem simplificado: para um bom resultado, o primeiro passo necessário é construir uma linha imaginária traçando o caminho por onde começar a investigar e, a partir de então, começar a buscar as respostas para perguntas básicas, como: “Onde?”, “Quem?” e “Por quê?”. E, acima de tudo, é preciso lembrar que ser detetive é trabalhar com a inteligência, desvendar mistérios e provar a verdade.
10. O que mais gosta em sua profissão? Se você não fosse detetive, o que seria?
Laleska Fernandes De Assis e Victor Felipe Costa Lima Cabral.
Entre outras coisas, gosto de poder contribuir para a construção de uma sociedade mais digna e justa. Digo isso porque, às vezes, meu serviço, que geralmente é feito para uma pessoa, acaba beneficiando não só quem me contratou, mas toda a sua família, como, por exemplo, no caso de suspeita de traição. Até porque a família é a base de tudo: se ela vai bem, o resto tende a trilhar pelo mesmo caminho, e uma simples traição pode destruir toda uma família. Se eu não fosse detetive, mesmo não gostando de altura, com certeza queria ser um piloto de avião.
11. Dá muito trabalho ser detetive? Você tem clientes de outros países?
Alexander Catunda Carneiro e Vitor Lima Monteiro.
Sim, e como dá! Ao exercer nossa função, passamos boa parte do tempo ouvindo as mentiras dos investigados, descobrindo falcatruas, fraudes, traições, etc. e, por isso, mesmo tendo controle, acabamos desconfiando de tudo e de todos. Mas, da forma como estão as coisas atualmente, é bom ser desconfiado mesmo! Eu tenho clientes em diversos países, mas a procura é maior por parte de clientes de Portugal, EUA e Japão, que geralmente querem investigar o passado de determinada pessoa aqui no Brasil.
Fonte: http://www.educacional.com.br