Wednesday, August 24, 2005

Filão é a traição conjugal

O mercado dos “Sherlocks Holmes” modernos também conta com a investigação política e comercial

Diferente do estereótipo imortalizado por Sherlock Holmes, que desvendava crimes quase indecifráveis, apenas com o auxílio de sua lupa, a profissão de detetive vive novos tempos no século 21. E no Brasil, País marcado pela malandragem e profusão de escândalos políticos, o número de profissionais na área vêm aumentando, apesar de existirem poucos cursos de qualidade em território nacional. Contudo, as investigações conjugais ainda são a base do mercado tupiniquim.

O crescimento da profissão no Pará segue o rumo da média nacional, porém, a “meca” da investigação é centralizada em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, onde são oferecidos os melhores cursos do País. De acordo com o detetive Edilmar Lima, um dos diretores da agência de investigações Central Única Federal dos Detetives do Brasil (CUFDB), os cursos de detetive são classificados como profissionalizantes pela Lei nº 1.165, assinada pelo governo federal em 1969.

Nos cursos, os alunos aprendem noções de direito, medicina legal, legislação, logística, investigação e datiloscopia. Os paraenses habilitados a exercer a profissão se capacitaram no eixo Brasília-São Paulo-Rio ou fizeram cursos por correspondência, com o da agência norte-americana Pinkerton. Para deslanchar na profissão, Lima acredita que o futuro detetive “deve ter a investigação no sangue”, além de um aparato tecnológico oneroso para quem não possui capital de giro.

Na vida real, diferente das histórias do inglês Conan Doyle, cirador de Holmes, o uso de microcâmeras, gravadoras e máquinas fotográficas digitais com alcance poderoso são elementares para o bom andamento das investigações. No mercado, os equipamentos utilizados para flagrantes são os mais caros. Um kit com microcâmera e gravador de áudio sem fio custa, em média, R$ 1.200. Uma pasta executiva que inclui o kit anterior embutido, não sai por menos de R$ 1.500. Relógios e quadros com câmeras escondidas, estão em torno de R$ 1 mil.

Mas, diante de tantos desafios, sobretudo financeiros, vale à pena apostar na profissão? Para o detetive paraense J. Bonfim, “a profissão é que escolhe a pessoa”. Ele acredita, assim como Lima, que só pode ser um bom detetive quem nasceu para isso. “É uma profissão exaustiva. Em alguns casos, ficamos de campana por mais de cinco horas, sem poder se movimentar, sem tomar nem água, pegando chuva”, relata J. Bonfim.

Apesar disso, o número de detetives atuando em Belém é considerável. Se um interessado em serviços de investigação fizer uma busca no site da lista telefônica (www.listel.com.br) e usar a palavra chave “detetives”, vai encontrar uma lista com 22 telefones e endereços de detetives e agências particulares - uma delas a de J. Bonfim, a Agência JB, que reúne oito funcionários. A fiscalização do trabalho dos detetives, comenta Lima, é tarefa conferida às promotorias de justiça.

Os profissionais da capital paraense não possuem uma entidade de classe. Segundo Lima, no semestre passado, foi instaurado um inquérito na Polícia Federal para a investigação de um grupo que se dizia representante dos detetives no Pará e usava o mesmo nome da CUFDB. Lima explica que, apesar de o exercício da profissão ser autônomo, o detetive particular, quando estiver ligado a uma empresa, deve ter registro profissional, como determina o Ministério Público do Trabalho.

Mercado - Diferente da realidade de cidades como Brasília, onde a solução de alguns casos, em maioria políticos, pode custar até R$ 30 mil ao interessado, o mercado de Belém ainda não deslanchou. Os serviços mais procurados na Região Metropolitana, diz J. Bonfim, que trabalha há 18 anos na cidade, são os de localização de pessoas, adultério e investigação de empresas. Um detetive que soluciona três casos por mês na capital paraense pode lucrar, em média, R$ 3 mil.

Em época de eleições, a moda em Brasília é a investigação de políticos acionada por candidatos opositores. “Se descobrirem alguma coisa da vida particular, eles podem, na hora certa, jogar a lama na candidatura”, comenta Lima. E isso movimenta mais ainda o mercado. Os políticos que acreditam estar sob as lentes de detetives, contratam agências para realizar o que Lima chama de “contra-espionagem”.

Em Belém, J. Bonfim afirma que é difícil estimar valores mensais, por conta da sazonalidade dos clientes. “Tem mês que ganhamos, mas no outro não”. O número de casos mensais na Agência J. B. varia entre 3 e 4. “Dependendo do tipo de investigação, cobramos diária de R$ 120 a R$ 200. Daí você pode estimar os dividendos”, informa o detetive sobre a arrecadação da agência.



Fonte: Jornal O Liberal
http://www.orm.com.br/oliberal

0 Comments:

Post a Comment

<< Home