Detetive: profissão de risco e de emoção
Investigações
Detetive: profissão de risco e de emoção
São José do Rio Preto, 21 de agosto de 2005
Por Renata Fernandes
01:40 - Coragem, determinação, inteligência, dinamismo, técnica, eficiência e sigilo. Essas são apenas algumas das características necessárias para um bom detetive. Profissão que existe há séculos, mas que ainda desperta interesse e curiosidade. Em Rio Preto e região existem pelo menos 132 detetives particulares cadastrados na Central Única Federal dos Detetives do Brasil (CUFDB). Uma das poucas mulheres registradas no órgão é J.C., de Rio Preto. Nos 2,8 mil detetives da Central, a relação é de nove homens para cada mulher. Segundo um dos responsáveis pela entidade, Edilmar Lima, a estimativa é que existam aproximadamente 8 mil detetives particulares em todo o país. “Nem todos se credenciam, por isso não temos dados oficiais. Tentamos uma regulamentação por lei de um cadastro nacional de detetives”, diz.
Um detetive particular deve ter como objetivo principal a busca constante da verdade e compromisso com a ética e a moral. Ser detetive é trabalhar com a inteligência, desvendar mistérios e provar a verdade. A rotina inclui riscos, como ser descoberto pelo investigado ou receber ameaça de morte. Segundo a detetive J.C., os trabalhos mais perigosos são os que envolvem drogas. Muitos pais têm contratado profissionais para investigar os filhos em relação a entorpecentes. “Já tive de seguir muitos adolescentes, e nem sempre eles estão envolvidos diretamente com drogas, mas com prostitutas ou pessoas que os levam a elas”, diz. Segundo Lima, na maioria das vezes quando se trata de filhos não há flagrante porque os próprios pais não querem que o fato se torne público. “Por mais provas que a gente apresente, alguns pais não querem acreditar.”
A detetive rio-pretense afirma que independentemente do caso, o profissional não pode sentir medo. “Eu mesma não sinto. Para isso, temos técnicas, mas não posso revelá-las porque senão passo a correr o risco.” Durante os dez anos de carreira, ela sofreu de fato apenas uma ameaça de morte. “Muitas vezes o próprio cliente se reconcilia com o investigado - quando se trata de investigação conjugal - e confessa que me contratou.” Esse foi o caso da ameaça que ela sofreu. Um cliente a contratou para vigiar a mulher dele. A traição foi constatada e depois de um tempo o casal se reconciliou. A mulher ficou nervosa e quis descontar sua raiva na detetive. “Foi a mais grave que me lembro, ela quis furar meus olhos. No mais recebo muitas ligações em que a pessoa diz que vai me matar, mas não passa disso.”
Lima ressalta que se o detetive não souber escolher o cliente ou o caso em que vai atuar - o que é permitido, pois eles não têm obrigação alguma de aceitar casos em que possam arriscar as próprias vidas - pode se envolver inadvertidamente em alguma trama da qual não consiga sair. “É regra, quanto maior forem os negócios e casos, maiores serão os problemas. Na profissão de detetive também é assim. Às vezes, um simples caso de traição pode trazer sérios riscos de vida ao detetive. Porém, o risco é inerente à profissão.”
O detetive conta que já passou por várias situações ao longo de sua carreira, mas considera uma delas cômica. “Um cliente havia me contratado numa sexta-feira pela manhã, e no sábado, ao meio dia, bebeu demais e contou para a mulher que havia me contratado. Ele não me contou o incidente. A mulher, que já sabia da investigação, armou com o amante. Os dois seguiram com o carro para um local muito estranho, mas como a intuição é uma grande arma de um bom detetive, logo saquei que tinha algo de errado e abortei a missão.”
Tecnologia
É importante todo detetive ter noções básicas de fotografia e filmagem, conhecimento básico em eletrônica e em freqüências de ondas VHF e UHF. Além disso, é preciso saber mexer com telefonia para a realização de varreduras telefônicas. Os detetives não têm autorização para fazer grampos telefônicos pois é necessário autorização judicial. O que é permitido é a gravação telefônica realizada dentro da casa do próprio cliente e ainda assim com um contrato de autorização. Estas gravações servem para comprovar ameaças, extorsões, entre outras. Independentemente do tipo de investigação a ser feita, o profissional que não tiver tecnologia de ponta está fora do mercado. Câmera de vídeo, máquina fotográfica, binóculo, gravador e escuta são alguns dos itens da parafernália usada. O valor de um serviço investigativo é definido de acordo com cada caso, mas em média varia de R$ 200 a R$ 4 mil.
Investigação pode levar ao inesperado
Algumas das piores situações na profissão de um detetive é ter de ficar de campana por horas sem poder sair do local nem para ir ao banheiro, por receio de perder o investigado de vista. Ter de se disfarçar, principalmente de mendigo, também não é agradável, segundo os detetives. Eles dizem que o mais perigoso de uma investigação é ser contratado para determinado assunto e descobrir outro que não tinha nada a ver com o foco inicial. Uma situação comum a isso são mulheres descobrirem que seus maridos as traíam com homossexuais.
Além disso, as perseguições também são consideradas perigosas, já que são essenciais para as descobertas. “Seguir é um ponto crucial e ao mesmo tempo divertido de uma investigação. É uma recompensa de horas e horas de espera. Contudo, um semáforo fechado pode estragar o acompanhamento, por isso o detetive deve ter técnicas de perseguição, senão perde um dia de investigação em poucos segundos”, diz o detetive Edilmar Lima, que também é o autor do livro “Crônicas de um Detetive”.
Limites
Os profissionais esclarecem que não são policiais e por isso não interferem nas investigações da polícia, assim como a polícia também não tem qualquer respaldo legal para interferir ou atrapalhar as investigações de um detetive, segundo Lima. “A relação entre polícia e detetives costuma ser transparente. É uma regra bastante simples: o limite de cada profissional termina onde começa o do outro.” Casos de jovens envolvidos com drogas também têm sido bastante solicitados por pais preocupados. Além disso, detetives também fazem levantamento de dados, localização de veículos e pessoas, investigações de crimes contra o patrimônio e a vida. Atuam ainda contra espionagem industrial, monitoramento e levantamento da vida de funcionários, controle de informações e assessoria, investigações contra fraudes, falsificação de marcas e patentes, rastreamento e varredura em linhas telefônicas. Como qualquer bom profissional, o detetive tem artimanhas, métodos e meios próprios para desvendar casos. No entanto, não revelam esses truques por questões de segurança.
Homem já contrata mais que mulher
O perfil de quem contrata detetives particulares mudou. Nos últimos cinco anos, os homens são os que mais contratam esses profissionais. É o que afirma a Central Única Federal dos Detetives do Brasil (CUFDB). De acordo com um estudo da entidade, de 1.999 até 2.004, o sexo masculino procurou 12% mais os serviços de investigação. “Isso vale para Rio Preto”, afirma a detetive J.C.. Outro profissional, N.P., que atua na área há mais de 20 anos, se especializou em investigações de furtos. No entanto, diz que já fez muita investigação conjugal e por isso, coleciona algumas histórias pitorescas.Uma delas foi a de um homem de 80 anos de idade que o contratou para seguir a mulher que tinha 78 anos. “Quando o senhor me falou sobre sua desconfiança cheguei a pensar que fosse imaginação dele. Demorou, mas descobrimos que de fato a mulher o traía com um rapaz.” O casal de idosos se separou. Foram histórias como essa que fizeram com que N.P. perdesse a vontade de investigar adultérios. “É muito constrangedor ter de ver uma família se separar.”
Fonte: Diário da Região
Detetive: profissão de risco e de emoção
São José do Rio Preto, 21 de agosto de 2005
Por Renata Fernandes
01:40 - Coragem, determinação, inteligência, dinamismo, técnica, eficiência e sigilo. Essas são apenas algumas das características necessárias para um bom detetive. Profissão que existe há séculos, mas que ainda desperta interesse e curiosidade. Em Rio Preto e região existem pelo menos 132 detetives particulares cadastrados na Central Única Federal dos Detetives do Brasil (CUFDB). Uma das poucas mulheres registradas no órgão é J.C., de Rio Preto. Nos 2,8 mil detetives da Central, a relação é de nove homens para cada mulher. Segundo um dos responsáveis pela entidade, Edilmar Lima, a estimativa é que existam aproximadamente 8 mil detetives particulares em todo o país. “Nem todos se credenciam, por isso não temos dados oficiais. Tentamos uma regulamentação por lei de um cadastro nacional de detetives”, diz.
Um detetive particular deve ter como objetivo principal a busca constante da verdade e compromisso com a ética e a moral. Ser detetive é trabalhar com a inteligência, desvendar mistérios e provar a verdade. A rotina inclui riscos, como ser descoberto pelo investigado ou receber ameaça de morte. Segundo a detetive J.C., os trabalhos mais perigosos são os que envolvem drogas. Muitos pais têm contratado profissionais para investigar os filhos em relação a entorpecentes. “Já tive de seguir muitos adolescentes, e nem sempre eles estão envolvidos diretamente com drogas, mas com prostitutas ou pessoas que os levam a elas”, diz. Segundo Lima, na maioria das vezes quando se trata de filhos não há flagrante porque os próprios pais não querem que o fato se torne público. “Por mais provas que a gente apresente, alguns pais não querem acreditar.”
A detetive rio-pretense afirma que independentemente do caso, o profissional não pode sentir medo. “Eu mesma não sinto. Para isso, temos técnicas, mas não posso revelá-las porque senão passo a correr o risco.” Durante os dez anos de carreira, ela sofreu de fato apenas uma ameaça de morte. “Muitas vezes o próprio cliente se reconcilia com o investigado - quando se trata de investigação conjugal - e confessa que me contratou.” Esse foi o caso da ameaça que ela sofreu. Um cliente a contratou para vigiar a mulher dele. A traição foi constatada e depois de um tempo o casal se reconciliou. A mulher ficou nervosa e quis descontar sua raiva na detetive. “Foi a mais grave que me lembro, ela quis furar meus olhos. No mais recebo muitas ligações em que a pessoa diz que vai me matar, mas não passa disso.”
Lima ressalta que se o detetive não souber escolher o cliente ou o caso em que vai atuar - o que é permitido, pois eles não têm obrigação alguma de aceitar casos em que possam arriscar as próprias vidas - pode se envolver inadvertidamente em alguma trama da qual não consiga sair. “É regra, quanto maior forem os negócios e casos, maiores serão os problemas. Na profissão de detetive também é assim. Às vezes, um simples caso de traição pode trazer sérios riscos de vida ao detetive. Porém, o risco é inerente à profissão.”
O detetive conta que já passou por várias situações ao longo de sua carreira, mas considera uma delas cômica. “Um cliente havia me contratado numa sexta-feira pela manhã, e no sábado, ao meio dia, bebeu demais e contou para a mulher que havia me contratado. Ele não me contou o incidente. A mulher, que já sabia da investigação, armou com o amante. Os dois seguiram com o carro para um local muito estranho, mas como a intuição é uma grande arma de um bom detetive, logo saquei que tinha algo de errado e abortei a missão.”
Tecnologia
É importante todo detetive ter noções básicas de fotografia e filmagem, conhecimento básico em eletrônica e em freqüências de ondas VHF e UHF. Além disso, é preciso saber mexer com telefonia para a realização de varreduras telefônicas. Os detetives não têm autorização para fazer grampos telefônicos pois é necessário autorização judicial. O que é permitido é a gravação telefônica realizada dentro da casa do próprio cliente e ainda assim com um contrato de autorização. Estas gravações servem para comprovar ameaças, extorsões, entre outras. Independentemente do tipo de investigação a ser feita, o profissional que não tiver tecnologia de ponta está fora do mercado. Câmera de vídeo, máquina fotográfica, binóculo, gravador e escuta são alguns dos itens da parafernália usada. O valor de um serviço investigativo é definido de acordo com cada caso, mas em média varia de R$ 200 a R$ 4 mil.
Investigação pode levar ao inesperado
Algumas das piores situações na profissão de um detetive é ter de ficar de campana por horas sem poder sair do local nem para ir ao banheiro, por receio de perder o investigado de vista. Ter de se disfarçar, principalmente de mendigo, também não é agradável, segundo os detetives. Eles dizem que o mais perigoso de uma investigação é ser contratado para determinado assunto e descobrir outro que não tinha nada a ver com o foco inicial. Uma situação comum a isso são mulheres descobrirem que seus maridos as traíam com homossexuais.
Além disso, as perseguições também são consideradas perigosas, já que são essenciais para as descobertas. “Seguir é um ponto crucial e ao mesmo tempo divertido de uma investigação. É uma recompensa de horas e horas de espera. Contudo, um semáforo fechado pode estragar o acompanhamento, por isso o detetive deve ter técnicas de perseguição, senão perde um dia de investigação em poucos segundos”, diz o detetive Edilmar Lima, que também é o autor do livro “Crônicas de um Detetive”.
Limites
Os profissionais esclarecem que não são policiais e por isso não interferem nas investigações da polícia, assim como a polícia também não tem qualquer respaldo legal para interferir ou atrapalhar as investigações de um detetive, segundo Lima. “A relação entre polícia e detetives costuma ser transparente. É uma regra bastante simples: o limite de cada profissional termina onde começa o do outro.” Casos de jovens envolvidos com drogas também têm sido bastante solicitados por pais preocupados. Além disso, detetives também fazem levantamento de dados, localização de veículos e pessoas, investigações de crimes contra o patrimônio e a vida. Atuam ainda contra espionagem industrial, monitoramento e levantamento da vida de funcionários, controle de informações e assessoria, investigações contra fraudes, falsificação de marcas e patentes, rastreamento e varredura em linhas telefônicas. Como qualquer bom profissional, o detetive tem artimanhas, métodos e meios próprios para desvendar casos. No entanto, não revelam esses truques por questões de segurança.
Homem já contrata mais que mulher
O perfil de quem contrata detetives particulares mudou. Nos últimos cinco anos, os homens são os que mais contratam esses profissionais. É o que afirma a Central Única Federal dos Detetives do Brasil (CUFDB). De acordo com um estudo da entidade, de 1.999 até 2.004, o sexo masculino procurou 12% mais os serviços de investigação. “Isso vale para Rio Preto”, afirma a detetive J.C.. Outro profissional, N.P., que atua na área há mais de 20 anos, se especializou em investigações de furtos. No entanto, diz que já fez muita investigação conjugal e por isso, coleciona algumas histórias pitorescas.Uma delas foi a de um homem de 80 anos de idade que o contratou para seguir a mulher que tinha 78 anos. “Quando o senhor me falou sobre sua desconfiança cheguei a pensar que fosse imaginação dele. Demorou, mas descobrimos que de fato a mulher o traía com um rapaz.” O casal de idosos se separou. Foram histórias como essa que fizeram com que N.P. perdesse a vontade de investigar adultérios. “É muito constrangedor ter de ver uma família se separar.”
Fonte: Diário da Região

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