Friday, July 22, 2005

Infidelidade virtual

Segundo detetives, Internet é a principal “destruidora de lares” da atualidade
Por João Marinho

Você é casado, leitor? Tem namorad@? Já pulou a cerca? Grosso modo, ao assumirem uma relação estável, as pessoas entendem que o tipo de acordo será o mesmo que nossos pais ensinaram: fidelidade estrita, um casamento “de papel passado” no futuro e, se possível, filhos para encher a casa.

Entretanto, agora que você cresceu, já deve ter percebido que nem sempre as coisas são assim. Nem para nós, nem para nossos pais. Muitos casados traem, o que não necessariamente quer dizer que não se gostem.

Nós, que trabalhos em uma revista erótica, sabemos que, do ponto de vista do leitor, é muitas vezes difícil resistir a uma bela mulher, além de que o ser humano é fértil em criar fantasias e fetiches, nem sempre “executáveis” em casa. Por outro lado, muitas vezes a traição é apenas pura sacanagem ou mesmo um sinal de que a relação acabou e ninguém percebeu.

Soma-se a isso o surgimento de uma variedade imensa de “relacionamentos modernos”: gente que faz swing ou ménage, participa de orgias, sai com outras pessoas... Tudo consensualmente. Não nos cabe, portanto, julgar o mérito da questão. Entretanto, uma coisa é certa: muito disso que está aí tem uma forte relação com a internet.


SEXO NA REDE

Essa conclusão, a que muitos chegam por lógica, é confirmada por Edilmar Lima, 29 anos: “Para quem não tem internet, a coisa ‘tá feia’ [...] A maioria das pessoas que flagramos têm internet”.

Edilmar é detetive particular há 11 anos e sócio da Central Única Federal dos Detetives do Brasil, em Brasília-DF. A Central atende todo o país e distribui serviços de investigação conjugal, política, criminal e empresarial para profissionais em diversas localidades. A infidelidade no casal, entretanto, responde por cerca de 70% de todo o trabalho feito.

Lima chama a atenção para a presença de casados nas salas de bate-papo. “Às vezes entro profissionalmente, para entrevistar pessoas mesmo. Outro dia, entrei como mulher e teclei com alguns. Eram todos casados”, conta.

A investigação de quem usa a internet para trair começa muitas vezes pelo computador. “A gente dá uma olhada no conteúdo do computador, procura a pessoa nos chats, verifica a existência de e-mails gratuitos escondidos. Com o número do IP [Nota do redator: Internet Protocol, uma espécie de endereço numérico que seu micro assume na Web, ao ser conectado], fica mais fácil levantar informações”.

A facilidade de encontrar parceiro é o principal atrativo da Web. “Hoje em dia, não é mais preciso sair [...] pra encontrar outra pessoa, se houver vontade”, diz Juliana Belém, 25 anos, sócia de Lima e detetive há sete anos.

Além disso, segundo ela, os casos surgidos online são mais difíceis de pegar, ainda que mais freqüentes. “A pessoa é geralmente desconhecida do casal, mas eles passam bastante tempo se conhecendo pela internet, falam por fone, comunicam-se por e-mail, Messenger e ICQ antes [...] Quando se encontram, mantêm muito cuidado. Hoje, por exemplo, tenho percebido que, em vez de irem para o motel, eles vão para um hotel. Fica mais difícil caracterizar a traição”. Ademais, quem adere ao esquema “rotativo” complica ainda mais a investigação.


PODER FEMININO

A mulher é hoje a principal cliente da Central de Detetives, invertendo a tendência existente há três anos, com os homens como maioria. “O valor do serviço não é tão barato, e hoje a mulher já tem um certo destaque na economia. Algumas vezes, até ganha mais que o marido [...] Então, ela tem o poder para pagar o serviço”, explica Juliana.

A mulher é também mais vingativa. “O homem não tem o sangue frio para esperar o que vai acontecer. Na menor desconfiança, já vem falar conosco. A mulher, quando nos procura, já sabe o endereço da amante, há quantos dias o marido está com ela, os horários em que se encontram...”.

Uma vez confirmada a infidelidade, o resultado costuma ser a separação, para ambos os sexos. No geral, entretanto, novamente a mulher aparece como mais fria. “A mulher já quer partir logo para a separação. Já alguns homens fazem de conta que não sabem de nada, são mais flexíveis”, diz Lima. Juliana parece discordar. “A mulher é mais vingativa, mas o homem não aceita ser traído nem pela amante”.


MUY AMIGOS...

Certo. A internet é a principal causa da infidelidade, mas e quando não é possível contar com ela? “Quando comecei, havia pouquíssimos serviços vindos da internet”, conta Juliana, “sem internet e quando a pessoa trabalha e passa muito tempo no serviço, ela geralmente tem amante no trabalho. Isso ocorre em 80% dos casos, especialmente entre casais casados.

Entre namorados, também ocorre muito de haver alguém que a pessoa conheceu em festas, bares, na rua. Quando a pessoa não é casada e tem amante, não há uma preocupação tão grande em não manter contato em público”.

Em geral, a traição “off-line” acontece com pessoas conhecidas. “Noventa por cento [...] é de pessoas que conhecem a família”, diz Lima. Tanto nesses casos quanto nos da internet, as provas são incontestáveis: fotos, filmagens, relatórios, dados, horários de encontro, etc.


OUTROS SABORES

De 15 a 20% das traições empreendidas por mulheres ocorrem com outras mulheres e de 5 a 10% das traições masculinas ocorrem com outros homens, diz Juliana. “Homens traindo com homens é mais difícil de acontecer, mas mais fácil de caracterizar”.

Isso, claro, entre os casais heterossexuais, pois o público homossexual também recorre aos serviços da Central. As lésbicas os procuram com mais freqüência, mas os gays são mais rígidos quando descobrem a traição. No total, em comparação com os casais héteros, os homossexuais tendem mais a se separar.


PROVA DE AMOR?

Quando a traição, porém, não é comprovada? “Alguns casais encaram como uma forma de amor”, diz Lima. “Outros ficam putos, mas acabam ficando juntos”. E você, leitor, o que faria se fosse investigado? Haveria algo a ser descoberto? Cuidado, um detetive pode estar à espreita...


Frases:

“Acho que para a mulher trair, ela precisa de um bom motivo. O homem só precisa de um lugar”
Juliana Belém, 25 anos, detetive


“Quem tem ‘amantes rotativos’ é mais difícil de ser descoberto”
Edilmar Lima, 29 anos, detetive

Para saber mais:
www.centralunica.com.br site da Central dos Detetives

www.edilmarlima.com.br site pessoal de Edilmar Lima

No Brasil...

· 25% das mulheres admitiram já ter traído
· 50% dos homens já pularam a cerca
· apenas 25% dos casados esperam fidelidade
Fonte: Projeto Sexualidade/Universidade de São Paulo
---
Adaptado do original publicado na revista Sexfilmes VCD no. 4

0 Comments:

Post a Comment

<< Home